Ao RJ1, Garotinho defende corte de incentivos fiscais em R$ 12 bilhões e detalha ‘Bope 2.0’ na segurança
14/09/2026
(Foto: Reprodução) RJ1 entrevista Garotinho
Garotinho, candidato do Republicanos ao governo do RJ, afirmou, em entrevista ao RJ1 nesta segunda-feira (14), que pretende cortar R$ 12 bilhões em incentivos fiscais concedidos pelo estado, reduzir tarifas de transporte e criar um “Bope 2.0” para ocupar de forma permanente comunidades dominadas pelo crime organizado.
Ao ser questionado sobre como pretende financiar propostas de seu plano de governo diante da dívida do RJ com a União, Garotinho afirmou que parte dos recursos viria da revisão dos benefícios fiscais. Segundo o candidato, o estado concede atualmente R$ 24 bilhões em incentivos, e metade desse valor poderia ser cortada.
“O estado dá R$ 24 bilhões de incentivo fiscal para empresa que não precisa. Eu vou cortar R$ 12 bilhões”, afirmou. “Dinheiro não é problema. O problema no Rio é corrupção e gestão.”
MAIS SOBRE A ENTREVISTA:
Garotinho promete reduzir tarifa de transporte e propõe metrô sem túnel sob a Baía de Guanabara
Veja a íntegra da entrevista e todos os vídeos
Anthony Garotinho (Republicanos) com Mariana Gross e Edimilson Ávila no estúdio do 'RJ1'
João Cotta/TV Globo
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A série de entrevistas no RJ1
A Globo convidou os postulantes que atingiram no mínimo 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro.
Agenda das entrevistas:
Segunda, 14: Anthony Garotinho (Republicanos)
Terça, 15: Douglas Ruas (PL)
Quarta, 16: Eduardo Paes (PSD)
‘Bope 2.0’
Garotinho (Republicanos) responde sobre segurança pública
Na segurança pública, Garotinho detalhou a proposta que chama de “Bope 2.0”, um novo grupamento que seria usado para ocupar de forma permanente comunidades dominadas pelo crime organizado.
“Você tem hoje ainda trabalhando em UPP, que não tem nenhuma utilidade, 3.200 homens. Esses homens vão ser retreinados e chamados para iniciar o Bope 2.0. Vamos chamar todos os concursados”, explicou.
O plano prevê a atuação conjunta da Polícia Militar e da inteligência da Polícia Civil. Segundo Garotinho, antes das operações, investigadores identificariam locais usados para armazenar armas e drogas e levantariam mandados de prisão contra criminosos.
O candidato disse ainda que pretende levar para as comunidades uma “tropa social”, com cerca de 20 programas do estado.
Garotinho também afirmou que pretende contar com integrantes das Forças Armadas para fazer o cerco das comunidades durante as operações, mas “sem entrar”.
“Um grupo faz o cerco, o Bope ocupa, a Polícia Civil investiga e prende e a tropa social dialoga com a comunidade.”
Segundo Garotinho, a estratégia seria diferente de operações em que as forças de segurança entram nas comunidades e deixam o território posteriormente. O candidato afirmou que a ocupação policial seria permanente.
O ex-governador disse que o Comando Vermelho “não tem mais unidade”. “Ele hoje é uma franquia”, explicou.
“Pelo estudo que nós fizemos, nós temos 20 comunidades no Rio de Janeiro que são responsáveis pelo restante. É ali que estão instaladas as chamadas ‘casas de diretoria’. Por exemplo, lá do Alemão, o chefe de lá fala com um cara de Cabedelo, na Paraíba. Os bandidos de fora estão sendo treinados no Rio de Janeiro e voltando para os seus estados”, disse.
Tarifas de transporte
Garotinho (Republicanos) responde sobre transporte
Garotinho também prometeu reduzir tarifas de transporte caso seja eleito.
Segundo Garotinho, um levantamento feito por sua equipe aponta que as tarifas de transporte na Região Metropolitana estão pelo menos 12% mais caras do que deveriam.
“Você lembra que eu baixei as tarifas da outra vez. Baixei 15% e, se precisar baixar, vou baixar de novo.”
Questionado sobre o preço do metrô, o candidato afirmou que é necessário rever a forma de cálculo das passagens e criticou a atuação das agências responsáveis pela fiscalização do sistema.
“Sabe o que é IPK? Índice de passageiros por quilômetro. É só fazer certo. Hoje quem controla a agência de transportes são os empresários”, declarou.
Venda da Cedae
Sobre a concessão dos serviços de água e esgoto, Garotinho afirmou que poderá rever o processo de privatização da Cedae caso seja eleito. Ao comentar o tema, disse que considera a tarifa cobrada atualmente elevada e afirmou haver indícios de irregularidades no processo.
“A tarifa de água no Rio depois da privatização, um absurdo. Olha, tem fraude escancarada. Eu devo inclusive avaliar o rompimento do contrato da venda da Cedae.”
“Cedae, vou melar porque teve fraude”, declarou.
Educação
Garotinho (Republicanos) responde sobre educação
Na área da educação, Garotinho afirmou que pretende ampliar o ensino em tempo integral e aumentar o uso de tecnologia nas escolas estaduais. Segundo ele, os alunos teriam aulas de disciplinas tradicionais em um turno e atividades voltadas para tecnologia no outro.
O candidato também defendeu mudanças na infraestrutura das unidades.
“Nós precisamos acabar com essa história de quadro negro e giz. Escola moderna é mouse e uma tela para que os alunos possam aprender tecnologia”, declarou.
“As pessoas jovens estão perdendo a oportunidade de trabalho porque hoje se compra pela internet. Hoje se paga pela internet. Se nós não colocarmos tecnologia nas nossas escolas, os nossos jovens não terão um futuro”, disse.
Garotinho disse ainda que pretende pagar o piso nacional dos professores e criar mecanismos para capacitação da categoria.
“Para capacitar os professores, eu vou pagar pela bolsa da Faperj. Eu vou pagar o piso nacional dos professores a partir do piso. E não com gratificação, como eles estão fazendo.”
Ataques a Castro
Ao longo da entrevista, Garotinho fez diversos ataques ao ex-governador Cláudio Castro.
“As pessoas ainda não têm noção da ladroagem do governo Cláudio Castro. Sabe em parte porque eu divulguei.”
Ao defender suas propostas para a segurança pública, afirmou que o tráfico se fortaleceu na gestão anterior.
“Hoje o que há é uma retomada do Comando Vermelho, que fez uma aliança do governo Cláudio Castro com a gentileza de ter o presidente da Assembleia [Alerj] como patrono.”
Garotinho atribuiu ao governo estadual irregularidades em diferentes áreas. Ele afirmou que “o problema do Rio é corrupção e gestão” e citou escândalos atribuídos a Castro, como os aportes do Rioprevidência no Banco Master. “Eu fui o único a denunciar o escândalo do Rioprevidência”, declarou.
Na reta final da entrevista, Garotinho intensificou os ataques ao governador ao afirmar que o adversário Douglas Ruas seria ligado ao atual governo. “Douglas Ruas é o candidato de Cláudio Castro”, disse.
A assessoria de Cláudio Castro afirmou que o ex-governador não ia comentar as declarações de Garotinho.
Candidatura indeferida
Garotinho segue em campanha apesar de o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) ter indeferido, por unanimidade, na sexta-feira (11), o registro de sua candidatura.
A decisão considera que o ex-governador está com os direitos políticos suspensos por 8 anos em razão de uma condenação definitiva por improbidade administrativa.
Durante a entrevista, Garotinho contestou a condenação e afirmou que vai recorrer da decisão que indeferiu sua candidatura.
“Cabe recurso, e nós vamos vencer, como já vencemos uma vez.”
Garotinho pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).