Coronel da reserva da PM, denunciado por ligação com a milícia, assume cargo na PortosRio
16/03/2026
(Foto: Reprodução) Coronel da reserva da PM, denunciado por ligação com a milícia, assume cargo na PortosRio
Um coronel da reserva da Polícia Militar, denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) por suspeita de envolvimento com a milícia da Zona Oeste, foi nomeado para um cargo na presidência da PortosRio. A estatal é responsável pela gestão dos portos públicos do estado.
No mês passado, Marcelo Moreira Malheiros assumiu o posto de assessor técnico da presidência, com salário bruto de quase R$ 17 mil.
A PortosRio administra os portos de Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói, Arraial do Cabo e Angra dos Reis.
A nomeação foi assinada pelo presidente da companhia, Flávio Vieira da Silva, aliado político do ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho. Flávio foi secretário de Saúde e secretário da Casa Civil de Belford Roxo, quando Waguinho era prefeito.
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MPRJ diz que coronel da reserva da PM chegou a pedir apoio de milicianos
Reprodução/TV Globo
Atualmente, o ex-prefeito ocupa o cargo de diretor de Relações Institucionais da estatal. Em 2022, Marcelo Malheiros participou das campanhas ao lado de Waguinho.
A investigação do MPRJ que denunciou Malheiros em 2024 revelou que o então coronel da PM protegia e vazava informações para milicianos que atuam na comunidade do Bateau Mouche, em Jacarepaguá.
De acordo com os promotores, Malheiros era chamado de “pai” pelos milicianos.
Durante a investigação, Malheiros foi exonerado do Segundo Comando de Policiamento, responsável pela Zona Oeste.
Os promotores também afirmam que ele chegou a pedir que milicianos enviassem mensagens elogiando sua atuação para “obter apoio político de criminosos” na região.
Após a operação e a denúncia do MPRJ, a Justiça determinou o afastamento de Malheiros e de outros 16 investigados de funções públicas.
Na decisão, o juiz destacou que os supostos crimes foram praticados em razão da função e da posição hierárquica ocupada pelos acusados.
Em agosto do ano passado, a Polícia Militar transferiu o oficial para a reserva, afirmando que a medida ocorreu por tempo de serviço e não estava relacionada à decisão judicial.
O processo que investiga a ligação com a milícia tramita em segredo de Justiça.
Marcelo Malheiros, suspeito de elo com a milícia, é nomeado assessor na PortosRio
Reprodução/TV Globo
O que dizem os citados
A defesa de Marcelo Malheiros afirmou que o coronel da reserva obteve habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), o que permitiu o retorno às funções em julho de 2025.
Segundo os advogados, ele aparece apenas como citado na denúncia do Ministério Público em 2024 e não há sentença condenatória. A defesa diz que Malheiros é inocente e afirma que, embora conheça Waguinho, não mantém mais contato com o ex-prefeito.
A Polícia Militar informou que, desde dezembro do ano passado, atividades profissionais exercidas por Malheiros em órgãos externos não estão sob ingerência da corporação. Disse ainda que o Procedimento Administrativo Disciplinar aberto contra o policial está temporariamente suspenso, à espera de decisão judicial.
A PortosRio afirmou que a nomeação para cargos de assessoria segue os procedimentos administrativos previstos em lei e que a indicação de Malheiros atendeu aos requisitos legais. A companhia disse também que, caso haja determinação judicial, adotará imediatamente as medidas cabíveis.
Já Waguinho declarou que não participa de processos administrativos de nomeação na PortosRio.