Policiais da Core vão a júri por morte em operação do Jacarezinho
21/06/2026
(Foto: Reprodução) Bandeira preta é estendida numa rua do Jacarezinho um dia depois da operação mais letal da história; caixa d'água aparece crivada de balas
Reprodução/TV Globo
A Justiça do Rio determinou que dois policiais civis sejam levados a júri popular pela morte de um homem durante uma operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, em 2021.
Omar Pereira foi morto durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) em 28 de maio de 2021.
Douglas de Lucena Peixoto Siqueira foi pronunciado por homicídio e abuso de autoridade. Já Anderson Silveira Pereira foi pronunciado por abuso de autoridade, que também será levado ao Tribunal do Júri.
A defesa dos dois policiais recorreu na sexta-feira (19).
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Na decisão, o juiz Bruno Rodrigues Pinto destacou que o próprio Douglas admitiu ter feito o disparo contra Omar na casa dele, alegando legítima defesa.
No entanto, testemunhas ouvidas em juízo alegaram que Omar estava desarmado, ferido no pé e não ofereceu resistência aos agentes da Core.
Na sentença, o juiz afirmou que os depoimentos das testemunhas de acusação e um laudo de local apontam que Omar estava sozinho no quarto quando foi atingido, à queima roupa, sem portar nenhuma arma ou granada.
A possibilidade de legítima defesa foi afastada pelo magistrado, que deixou a análise do tema para o júri, ainda sem data marcada.
Justiça aceita denúncia contra 2 policiais por morte em operação no Jacarezinho
Para o juiz, a contradição entre as versões apresentadas pelas testemunhas e pelos policiais obriga que o caso seja decidido pelos sete jurados do Conselho de Sentença.
O processo da morte de Omar Pereira é o único que ainda corre na Justiça do Rio envolvendo civis que foram vítimas durante a operação.
O que diz a Core
Chefe da Core, o delegado Fabrício Oliveira argumenta que Omar tinha um histórico criminal, e citou que a decisão do magistrado deixa claro que há dúvidas sobre a dinâmica da morte:
“A decisão de pronúncia se baseia essencialmente na existência de dúvida. O próprio magistrado reconhece que há versões conflitantes sobre a dinâmica dos fatos. Também reconhece o histórico criminal do traficante morto e o fato de que ele provavelmente participou dos confrontos.”
Fabrício diz ainda que um laudo indica que a tese de legítima defesa dos policiais é procedente:
“O laudo pericial concluiu que os relatos das principais testemunhas de acusação apresentavam incompatibilidades com os achados criminalísticos, enquanto a dinâmica apresentada pelos policiais foram consideradas compatíveis com a necropsia e com os vestígios encontrados no local.”
O delegado ainda complementa:
“Respeitamos a decisão judicial, mas entendemos que a prova técnica reforça a versão de legítima defesa apresentada desde o início.”
Outros processos
Adriana Santana de Araújo Rodrigues, que é mãe de Marlon Santana de Araújo, um dos mortos na operação, venceu oito processos contra diferentes figuras públicas que a vincularam ao tráfico de drogas. Ela já recebeu R$ 38 mil em quatro processos diferentes.
Os traficantes Adriano de Souza de Freitas, o Chico Bento, e Felipe Ferreira Manoel, conhecido como Fred, foram denunciados pelo homicídio duplamente qualificado do policial civil André Leonardo de Mello Frias. Eles foram responsabilizados por serem chefes do tráfico no Jacarezinho.
O traficante identificado como autor do tiro que matou o policial morreu em uma troca de tiros com a Core. Segundo a polícia, João Carlos Sordeiro Lourenço, de 23 anos, era conhecido como Jota e subiu na hierarquia da quadrilha depois de ter assassinado André Frias.
MP investiga fraude
Uma investigação foi aberta no MP sobre uma fraude em um laudo complementar da DH, produzido horas após a denúncia do MP contra esses policiais, realizada no dia 15 de outubro de 2021.
O MP alega que há indícios de fraude processual e falsidade ideológica na requisição e na produção de um laudo complementar de exame de local da Delegacia de Homicídios da Capital. O documento serviria para rebater os depoimentos das testemunhas da operação ouvidas pelo MP.
De acordo com o documento ao qual o g1 teve acesso, o horário indicado da realização do laudo era 17h42. O horário da requisição do laudo, no entanto, está marcado para 17h58, com "documentos datados do dia 15 de outubro de 2021, denotando-se indícios de fraude processual".
O inquérito está em fase de diligências no Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ.
No curso do processo, a defesa dos dois policiais pediu a absolvição sumária, sob a alegação de que os agentes agiram em legítima defesa em um contexto descrito como de confronto armado, sustentando ainda que a vítima estaria armada.
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